Solidão
Filha da puta, meu amigo, é a solidão
De garras sorrateiras te arrasta ao chão
Doente, vegetal, moribundo
Expõe-te uniformes pensamentos de exclusão
e consome-te osso, fosso profundo
Vício traiçoeiro do eu em mim
Daquele passado que deixei de dividir
consumido sem obras todo o jasmim
dos dias moços, mudos, sem medir
O vinho translúcido na noite alcoólica
O pé já solto pisa alto
leve mente sonha a alma em química
e rondas da morte queimam o asfalto
O sono arde, incauto, a aurora.
A luz evoca a verdade medida
e esperando o quinto da hora
enrola o fio no pescoço da vida
É dia... e a vida não vai...
É noite... e a morte não vem...
MARCELO AUGUSTO BISSOLI
Enviado por MARCELO AUGUSTO BISSOLI em 08/09/2025